Cabo Verde: Primeiro-ministro lamenta fuga de informação sobre conversa com PR
Praia – A coabitação entre o Presidente da República (PR) e o primeiro-ministro pode conhecer capítulos nada agradáveis nos próximos dias, na sequência de um artigo publicado pelo site Liberal, que revela, segundo o próprio Chefe do Governo, dados de uma conversa a dois entre José Maria Neves e Jorge Carlos Fonseca.
O referido site revelou que o primeiro-ministro criou um incidente diplomático ao decidir participar na cimeira extraordinária de Chefe de Estados e de Governo da CEDEAO contra a vontade do Presidente da República que, depois de participar na reunião de Abidjan, preparava-se para ir a Dakar.
De acordo com o Liberal, José Maria Neves foi chamado de urgência ao Palácio do Plateau por Jorge Carlos Fonseca, tendo saído de lá «triste e de cara baixa», depois de ter pedido desculpas e prometido «que não mais faria tal coisa».
Em declarações à agência Inforpress, o primeiro-ministro disse lamentar que aspectos de uma conversa a dois tenham saído a público de forma distorcida e deixou claro que não tem de pedir autorização ao Chefe de Estado, já que «não é subordinado do Presidente da República».
«Isto é absolutamente ridículo. O primeiro-ministro não pode pedir desculpas ao Presidente da República, porque está a exercer as suas funções de Chefe do Governo», disse José Maria Neves, quem confirmou ter sido chamado por Jorge Carlos Fonseca ao Palácio do Plateau para concertarem posições entre os dois sobre a posição de Cabo Verde na cimeira de Dakar.
Neves disse ter ficado triste com esta situação e reiterou: «Quer-se criar factos políticos, quer-se ganhar notoriedade e alguma projecção. Definitivamente, eu não vou contribuir para coisas ridículas desta natureza», concluiu sem apontar possíveis responsáveis pela fuga de informação.
De acordo com o primeiro-ministro desde o tempo de António Mascarenhas Monteiro, o primeiro Presidente eleito, existe um acordo entre o Presidente da República e o primeiro-ministro, segundo o qual, para as cimeiras da CEDEAO vai o Chefe do Governo, enquanto para as da CPLP vai o Presidente da República ou o primeiro-ministro, conforme os assuntos a serem debatidos.
O acordo, prossegue Neves, estipula que para a cimeira da União Africana (UA) vai o Presidente da República e à Assembleia Geral das Nações Unidas vão alternadamente o PR ou o primeiro-ministro.
A PNN contactou sem sucesso a Presidência da República para ouvir a versão de Jorge Carlos Fonseca, mas, segundo as nossas fontes, ele poderá reagir ou não, já que o Chefe de Estado não é apontado como fonte da notícia nem o primeiro-ministro considerou claramente que a fuga de informação partiu da Presidência da República.
Observadores políticos acreditam que o Presidente da República «não deixará de dar o troco», como se diz em Cabo Verde, porque José Maria Neves deixou entender que a fuga partiu do outro lado ao ter reiterado que não falou com a comunicação social sobre o assunto.
O site Liberal citou uma fonte do Ministério das Relações Exteriores, mas se a reunião foi a dois, um deles terá comentado com os seus assessores e colaboradores, que poderão estar na origem dessa fuga.
Refira-se que o Liberal tem feito uma defesa acérrima do Presidente da República e que tem trazido notícias exclusivas da agenda de Fonseca. Para observadores políticos, este poderá ser um tema que vai aquecer a pré-campanha eleitoral para as Autárquicas de 1 de Julho, que já está na estrada.
Recorde-se que, pela primeira vez, Cabo Verde tem um Presidente da República e um primeiro-ministro de áreas políticas diferentes e apoiados por partidos opostos.
(c) PNN Portuguese News Network
|