Guiné-Bissau: CEDEAO obtém libertação de Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira
Bissau – O ex primeiro-ministro guineense, e o candidato mais votado nas eleições presidenciais, Carlos Gomes Júnior, e o presidente interino Raimundo Pereira foram libertados após exigência CEDEAO junto do Comando Militar que reivindicou o Golpe de Estado a 12 de Abril na Guiné-Bissau.
Apesar de uma retórica de inflexibilidade relativamente a libertação de Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira, o Comando Militar sem hesitações libertou o ex primeiro-ministro e presidente interino cedendo assim às exigências impostas pelos Chefes de Estado Maior General das Forças Armadas do Senegal, Nigéria e Costa de Marfim que se deslocaram esta sexta-feira, 27 de Abril, à Guiné Bissau. No mesmo dia Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira partiram no avião oficial da Costa do Marfim para Abidjan.
Uma alternativa considerada de «meio-termo» dado que a argumentação do Comando Militar para justificar o Golpe de Estado assentava em dois pontos: as detenções do candidato favorito à segunda volta das presidenciais, acusado pelo «Comando» de facilitar a «ingerência militar de Angola na Guiné-Bissau» e de Raimundo Pereira que teria apoiado a posição do ex primeiro-ministro, por fim, exigia também a retirada imediata das forças armadas angolanas na Guiné que compõem a Missang.
Cumprindo a exigência da comunidade internacional, retransmitida pelos emissários militares da CEDEAO, Carlos Gomes Júnior é libertado mas retirado do país. Uma alternativa simbólica que pretende satisfazer efemeramente o Comando Militar que entretanto já aceitou que Carlos Gomes Júnior participe no futuro Governo de transição.
Paradoxalmente o Comando Militar aceitou também a entrada na Guiné-Bissau, por o período de um ano, de um contingente militar da CEDEAO composto por 638 militares da Nigéria, Costa do Marfim, Senegal, Burquina Faso e Benim quando considerava que a Missang, com cerca de 200 militares angolanos, representava uma ameaça externa às forças armadas guineenses.
A súbita flexibilidade do Comando Militar tem sido justificada pela sua impotência em resolver a crise por si criada e consequentemente por ter paralisado economicamente a Guiné-Bissau num momento vital para o país dado que já deveria ter iniciado a campanha do caju, principal recurso económico da Guiné-Bissau. Também, a falta de unanimidade no seio dos militares guineenses face ao Golpe fez pairar sinais de estar em curso um «contra Golpe» que poderia arrastar a Guiné-Bissau para uma nova guerra civil.
Por outro lado, o Comando Militar deparou-se com uma crescente hostilidade da população de Bissau que acusa os meios castrenses de serem os responsáveis da instabilidade crónica do país desde 1998.
Desde o início da crise a CEDEAO foi considerada pelos militares revoltosos como a organização que serviria de «mediadora» para saída da crise provocada pelo Golpe de Estado e que «compreendia» as reivindicações do Comando Militar. No entanto a mesma organização regional acabou por respeitar e impor ao Comando Militar as principais exigências da ONU, CPLP, União Europeia, EUA e União Africana.
Com o intuito de ajudar a ultrapassar a crise politica o presidente gambiano, Sheikh Alhajl Ahya Jammeh, convocou para um encontro em Banjul os candidatos guineenses às presidenciais de 12 de Março assim como os representantes dos partidos envolvidos no processo eleitoral.
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