Guiné-Bissau: Comando Militar diz não ao pagamento de salários aos funcionários públicos
Bissau – O Estado Maior-General das Forças Armadas, através do Comando Militar que tomou poder no país há duas semanas, anunciou, esta terça-feira, o não pagamento de salários no dia 25 de Abril, aos funcionários públicos, como tem sido habitual nos últimos anos.
No comunicado de imprensa a que a PNN teve acesso, o Comando Militar disse que, «na ausência do Governo e nas circunstâncias em que o país se encontra, o Comando Militar vem informar que não será possível o pagamento do salário aos funcionários públicos, como é habitual», diz o documento.
Optimista para a saída da crise político-militar em que se encontra o país, o Comando Militar admitiu a possibilidade de o pagamento vir a ser efectuado a partir da próxima semana, depositando assim a esperança no término de negociações com a comissão Técnica da CEDEAO, que tem a finalidade de restabelecer a ordem constitucional e a formação de Governo, embora as reuniões de dois dias tenham terminado sem qualquer consenso.
«Até esta altura, o Comando Militar acredita que estarão criadas as condições financeiras, técnicas e administrativas para o efeito», lê-se no comunicado.
Ciente das consequências negativas da falta de pagamento de salários em tempo útil, o Comando Militar pediu «paciência e compressão dos guineenses, particularmente das famílias que dependem, em grande parte, do salário pago pelo Governo».
Reagindo a este comunicado, a Frente Nacional Anti-Golpe organizou, esta quarta-feira, 25 de Abril, um encontro de reflexão para exigir o retorno da ordem constitucional na Guiné-Bissau, sob o lema: «Botornanu Guvernu Ku ta paganu salariu», ou seja, devolvem-nos o Governo que nos paga os salários.
De acordo com os organizadores, do encontro fizeram parte mulheres, jovens, antigos combatentes, empresários, estudantes, organizações de defesa dos direitos humanos e líderes políticos que apoiaram a candidatura do Carlos Gomes Júnior.
Entretanto a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes da Guiné-Bissau disse que não há motivos que justifiquem o não pagamento de salários aos servidores do estado.
Em declarações à imprensa, Mamadu Candé refutou alegações dos militares, sublinhado que esta foi a razão pela qual a confederação condenou o golpe de Estado do dia 12 de Abril, exigindo o retorno a normalidade constitucional na Guiné-Bissau.
«Não há desculpas porque o Comando Militar não é a entidade empregadora. Quem paga salários aos funcionários públicos é o Governo mas temos todas as instituições fechadas, o Primeiro-ministro e o Presidente da República detidos e não podemos receber os nossos salários porque o patronato está preso pelo militar», referiu.
Perante esta situação, Mamadu Candé voltou a apelar os funcionários públicos a não comparecerem nos seus postos de serviço até que seja restabelecida a segurança e a ordem constitucional no país.
A Associação Nacional dos Consumidores de Bens e Serviços ameaçou sair às ruas como forma de repudiar a situação que acontece na Guiné-Bissau, culminando na falta de dinheiro e no agravamento do fraco poder de compra aos seus associados.
Sumba Nansil
(c) PNN Portuguese News Network
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