Timor-Leste: Fundação Mahein pede às Forças de Segurança que não usem violência
Díli - A Fundação Mahein pediu aos líderes da Polícia e das Forças de Defesa para não usarem armas contra pessoas que possam criar um clima de violência durante o processo eleitoral, pois estariam a agir contra a lei.
Recentemente, o Comandante das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), Major General Lere Anan Timur, ameaçou atirar a matar qualquer cidadão que cometa actos de violência durante o período de eleição geral.
No final de Fevereiro, o Comandante-Geral da PNTL, Longuinhos Monteiro, ordenou também aos seus oficiais para dispararem contra qualquer pessoa que avistem a tentar sabotar o processo de eleições gerais, na sequência de acções de desconhecidos, que atiraram cocktails molotov aos
Escritórios da Secretaria de Apoio Técnico Eleitoral (STAE).
A ONG Mahein disse lamentar o tom violento destes comentários, alegando que serve apenas para acentuar as tensões e aumentar o trauma e o medo entre a população.
«Isso também serve como uma barreira para os cidadãos comuns participarem no processo democrático de escolha do novo Chefe de Estado do nosso país», afirmou a fundação.
«A Fundação Mahein (FM) gostaria de lembrar aos comandantes de ambas as Forças de Segurança acerca dos direitos dos cidadãos consagrados nas leis e Constituição da RDTL. O papel da F-FDTL e PNTL é proteger e servir a comunidade e defender o Estado de Direito. Temos um sistema de justiça e as nossas Forças de Segurança não podem tomar a lei nas suas próprias mãos, aplicando um regime de atirar primeiro e perguntar depois».
«A FM chama ambas as entidades a ajustarem-se com as comunidades, em vez de usarem retórica violenta. A forma tradicional de diálogo timorense, Nahe biti Boot, poderia ser utilizada como um modelo, tanto para a F-FDTL como para a PNTL. O seu papel é manter a ordem e a segurança no respeito pelo Estado de Direito. A FM apela, mais uma vez, a uma maior integração das operações durante este período eleitoral».
«Os Comandantes de ambas as Forças de Seguranlça podem usar as suas posições de influência para chamarem a atenção dos políticos, no sentido de orientarem os seus militantes, de modo a ser criada uma solução pacífica no processo democrático. Timor-Leste é uma nação pequena mas conhecida internacionalmente. A FM espera que o país dê o exemplo a outras nações que estiveram em conflito», disse a ONG.
(c) PNN Portuguese News Network
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