Timor-Leste: Cerimónia de assinatura do pacto de paz
Díli - Os candidatos presidenciais e os partidos políticos assinaram oficialmente um pacto, esta segunda-feira, 27 de Fevereiro, prometendo trabalhar em prol de eleições pacíficas e no reforço da unidade nacional.
O evento, organizado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), também deu a cada candidato presidencial uma oportunidade para divulgarem os planos para o mandato.
12 dos 13 candidatos presidenciais assinaram o pacto de paz. O candidato Francisco Xavier do Amaral não pôde estar presente dado que estava a receber tratamento médico.
Os representantes dos 24 partidos políticos, ASDT, FRETILIN, CNRT, KOTA, PD, PSD, PPT, PUN, PDRT, UNDERTIM, PST, PNT, PR, PMT, UDT, PDM, PLPA, FRENTI-Mudansa, PDL, PTT, APOP, KHUNTO e PDL, assinaram um pacto de unidade nacional. O PDC não foi representado.
Como parte do acordo, os candidatos presidenciais prometeram fortalecer a paz, independentemente do resultado das eleições, bem como a apoiar o novo Presidente e membros do Parlamento Nacional.
Os participantes também falaram sobre as suas visões e declarações de missão durante um debate público.
Os 12 candidatos presidenciais actuais, Manuel Tilman, Taur Matan
Ruak, Francisco Guterres Lu-Olo, Rogério Tiago Lobato, Maria do Céu,
Angelita Pires, José Ramos-Horta, Francisco Gomes, José Luís Guterres,
Abílio Araújo, Lucas da Costa e Fernando Lasama de Araújo, prometeram que, caso vençam as eleições, vão esforçar-se para resolverem todos os problemas, de acordo com a capacidade do Estado de Timor-Leste.
O Presidente José Ramos-Horta disse estar a concorrer para a reeleição porque pretende fortalecer a paz e o desenvolvimento do país.
«A minha motivação é a mesma de 1975, quando recebi a responsabilidade de ir para o exterior na primeira directiva do Conselho de Ministros. Nicolau Lobato confiou em mim. Durante 24 anos juntei-me àqueles que inspiraram a luta de Timor-Leste para ganhar a independência e reforçar a reconciliação da paz», declarou o Presidente timorense.
José Ramos-Horta disse acreditar que os pobres do país continuarão a votar em si, porque muitos dos problemas do país ainda não foram resolvidos.
Abílio Araújo disse ter visto que o povo timorense ainda sofe de várias maneiras e que gostaria de ser Presidente para melhorar a vida das pessoas.
Ele prometeu trabalhar em conjunto com o Estado, a Igreja, a Polícia, as
forças de Defesa, ONG´s e todos os povos do país para promover o seu estado de desenvolvimento.
Francisco Guterres Lu-Olo disse que todas as pessoas sonham em ter paz e, caso seja eleito, irá trazê-los «das trevas para a luz».
«Eu quero lutar por esta terra e para continuar a trabalhar sempre para
o meu povo. Uma das razões fundamentais de se tornar Presidente da
República é garantir a paz e a estabilidade no país», referiu o candidato Francisco Guterres.
A candidata Maria do Céu disse que pretende abordar a igualdade e todos os problemas que a nação enfrenta. Sublinhou ainda que o tétum precisa de ser fortalecido como língua nacional.
Rogério Lobato disse que irá esforçar-se para entregar democracia, justiça e unidade aos cidadãos e que observou que, durante dez anos de independência, a classe pobre de Timor-Leste tem sido punida pelos seus crimes mas que as pessoas com elevada posição nunca são levadas à justiça.
Francisco Gomes disse que é tempo para as pessoas de Timor-Leste viverem em paz e deixarem de lado os problemas que estão a trazer a nação para um nível mais baixo.
Manuel Tilman é de opinião que o petróleo de Timor-Leste e as receitas do gás devem ser usadas para melhorar a vida das pessoas do «Maubere» e «Buibere».
José Luís Guterres disse que pretende resolver os problemas dos idosos e melhorar a qualidade de vida dos jovens através de meios, incluindo o fornecimento de educação.
Lucas da Costa disse que a Constituição de Timor-Leste tem sido violada durante os últimos 10 anos e, caso se torne Presidente, irá defender a lei da Nação.
Disse também querer implementar uma maior utilização do tétum uma vez que o uso do Português e do Inglês constituem uma «discriminação» contra os timorenses que não falam esses idiomas.
Lucas da Costa é de opinião que se deve levar os perpetradores dos crimes
cometidos em 1999 a um tribunal internacional e que pretende incentivar o Parlamento Nacional a rever algumas partes da Constituição da República.
Angelita Pires também expressou as suas preocupações com a justiça, sublinhando que as pessoas que sofreram nas crises de 2006, por exemplo, ainda não foram compensadas.
A mesma candidata também prometeu tratar dos direitos das mulheres e crianças, entre outras questões.
Por sua vez, Taur Matan Ruak referiu que visa melhorar a vida das pessoas de Timor-Leste e que pretende dignificar todos os cidadãos, reconhecendo as aspirações do povo e respeitando os pensamentos de todos os membros da sociedade.
Fernando Lasama de Araújo disse que queria ser Presidente para servir o
povo e do Estado com base na lei.
Para Rui de Araújo, caso se torne Presidente e Xanana Gusmão seja
reeleito Primeiro-ministro, os dois irão trabalhar juntos para consertar o país.
Francisco Xavier do Amaral foi representado por João Correia, que disse que o próprio candidato não pode estar presente devido a um problema de saúde mas que tem muita experiência que lhe será bastante útil no exercício do cargo de Presidente.
O Presidente da CNE, Faustinho Cardozo, disse que seu escritório não iria punir Francisco Xavier pela falta ao debate, uma vez que o evento foi destinado apenas a reunir os candidatos para que pudessem compartilhar as suas declarações de missão.
O período de campanha presidencial começa oficialmente esta terça-feira, 28 de Fevereiro. A eleição será realizada a 17 de Março.
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