Dominique Cottrez, de 45 anos, confessou esta quinta-feira, ter morto oito filhos recém-nascidos entre 1988 e 2007. Ao longo de 22 anos a mulher engravidava, escondia de toda a gente, inclusivamente do próprio marido e mal os bebés nasciam, asfixiava-os e enterrava os corpos nas duas casas onde viveu com o marido, Pièrre-Marie Cottrez.
Os crimes ocorreram na localidade de Villers-au-Tertre, 200 quilómetros a norte de Paris, uma pequena vila onde os moradores disseram não entender como conviveram anos com a mulher sem desconfiar de nada. O caso foi descoberto este sábado, quando os novos proprietários da residência, que pertencia anteriormente aos pais de Dominique Cottrez, decidiram replantar uma árvore e, ao escavar o jardim, encontraram os corpos de duas crianças. Ao ser interrogada, a mulher revelou a existência de outros seis cadáveres de bebés, estes enterrados na garagem de sua própria casa, a um quilómetro de distância.
O casal, que tem duas filhas já adultas e também netos, foi detido e levado perante o tribunal de Douai. Dominique disse ter plena consciência dos seus actos e nem sequer negou saber que estava grávida. Justificou os assassínios afirmando que a primeira gravidez fora muito difícil e que depois da segunda não queria ter mais filhos, no entanto recusava-se a tomar contraceptivos.
A mulher assegurou que o marido não tinha conhecimento dos crimes e que, nem ele nem os vizinhos e amigos perceberam alguma vez que ela estava grávida. Quando soube das acusações, Pièrre-Marie, de 47 anos, ficou em estado de choque. «Parecia que o mundo tinha desabado sobre ele», afirmou um investigador. O juiz de instrução acreditou na sua inocência e libertou-o. |