«Uma Intuição por Portugal» analisa «fraquezas» da ciência portuguesa
Lisboa - Director do Departamento de Química da Universidade de Coimbra (UC) lança livro onde analisa as «fraquezas» da ciência portuguesa.
«Uma Intuição por Portugal» é o nome do livro que Sebastião Formosinho, director do Departamento de Química da Universidade de Química, vai lançar no dia 28 de Outubro no Museu da Ciência da UC. O livro, que terá a apresentação de Carlos Fiolhais, director da Biblioteca Geral da UC, tem como ponto de partida a análise às semelhanças e diferenças entre vários países em diversos domínios, como o da ciência ou o da educação.
Da comparação feita pelo autor nos diversos domínios, Sebastião Formosinho tira conclusões sobre a situação da ciência em Portugal. «A obra debruça-se sobre a coesão do nosso país, sobre as dificuldades que temos de enfrentar para que possamos atingir a modernidade europeia», avançou Sebastião Formosinho.
«Da teoria do conhecimento tácito decorre (e a obra confirma-o recorrendo à estatística) que o conhecimento científico há-de apresentar marcas culturais, dado que é realizado com uma base fiduciária da língua, das tradições, das culturas, reflectidas na geografia dos povos europeus. Estas marcas culturais estão patentes nas semelhanças ou diferenças entre países, para as configurações das diferentes áreas científicas», explicou o cientista.
Sebastião Formosinho defende que há em Portugal questões culturais que estão a «determinar» o modo de vida dos portugueses e a «distanciar-nos» da geografia a que pertencemos, sendo o «medo de existir» um tormento para Portugal. Esse «medo de existir», uma ideia que adoptou do filósofo José Gil, é já «uma marca cultural», explicou o cientista da Universidade de Coimbra.
Sebastião Formosinho é licenciado em Física e Química pela Universidade de Coimbra e doutorado em Londres pelo Royal Institution of Great Britain.É membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e dirige desde 2004 o Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. Já foi distinguido com diversos prémios científicos, entre os quais o Prémio Gulbenkian para Ciências Básicas de 1994 e foi Secretário de Estado para o Ensino Superior (1980-81) e presidente da Sociedade Portuguesa de Química (1992-98).
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