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Economia  »  Presidente do Centro de Distribuição e Negócios Luso-Chinês
  
Empresário chinês quer aproveitar posição portuguesa para comércio China-Angola
2007-03-20 17:06:56



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Lisboa – O presidente do Centro de Distribuição e Negócios Luso-Chinês e do Centro Parque Industrial Ango-Sino considerou recentemente que Portugal tem uma posição única para servir de plataforma comercial entre a China e Angola e defendeu maior investimento do governo português na promoção do comércio trilateral.
«A porta da China está sempre aberta para Portugal. Se o apoio do governo português e os conhecimentos dos portugueses sobre a China se tornarem mais fortes, o acesso ao país será mais fácil e o papel de ponte de ligação entre a China e os países lusófonos sairá mais reforçado», afirmou Zhan Yongqiao em entrevista à agência noticiosa oficial chinesa Nova China.

Zhan destacou Angola como o grande mercado potencial para os empresários chineses e portugueses e disse ter como objectivo aproveitar o que considera ser «as vantagens de Portugal e as oportunidades comerciais do país africano» para conduzir cada vez mais empresas para os mercados portugueses, angolanos e mesmo da Europa Ocidental.

«Se Portugal quiser desempenhar esse papel de ponte de ligação, a sua força é inegável, uma vez que em Angola os costumes e religiões são semelhantes aos de Portugal. E o mais importante: Angola é um país de língua portuguesa, o que favorece a comunicação com Portugal», disse o empresário à agência noticiosa oficial chinesa.

Apesar de Angola ter já ultrapassado a África do Sul como o maior parceiro comercial da china em África, com um comércio bilateral superior a 11,8 mil milhões de dólares em 2006, segunda dados do Ministério do Comércio chinês, Zhan acredita que as trocas comerciais entre a China e Angola podem ainda ser mais profundas, e que poderão passar por Portugal, em especial no sector dos materiais de construção.

«Estamos a criar um centro de distribuição de materiais de construção chineses em Lisboa, que visa estabelecer em Portugal uma plataforma de distribuição a partir da qual os produtos chineses poderão entrar mais facilmente nos países europeus e nos países africanos de língua portuguesa, particularmente Angola», referiu Zhan.

Para fornecer a plataforma de distribuição decorre já, segundo o empresário, um processo de selecção de 150 fornecedores de materiais de construção nas províncias chinesas onde os produtores têm maior capacidade competitiva - Guangdong (sul da China, fronteira a Macau), Zhejiang e Fujian (no leste da China) e na cidade de Xangai, o centro industrial, económico e financeiro chinês.

«O nosso plano vai apresentar directamente os produtos chineses aos consumidores angolanos», afirmou Zhan, que aposta nos esforços de reconstrução após a guerra civil em Angola para o desenvolvimento do mercado de materiais de construção, mas que se queixa da má imagem que os produtos chineses ainda têm no mercado.

«Portugal é o primeiro mercado escolhido pelos angolanos. A seguir vêm África do Sul, Brasil e Dubai, enquanto a China está no quinto lugar», referiu.

«A qualidade é o primeiro requisito dessa selecção, com o preço a vir a seguir, e não podemos por isso considerar o interesse comercial do produto sem ter em conta a imagem da China. No passado, alguns produtos chineses prejudicaram a imagem do país, mas hoje é diferente», adianta o empresário.

Natural da província de Zhejiang e a viver em Portugal desde os 19 anos, Zhan Yongqiao afirma que a plataforma de distribuição - que está ainda em fase de projecto e vai incluir um armazém de 23 mil metros quadrados, um escritório de 1.616 metros quadrados e um parque de estacionamento com 250 lugares - trará benefícios a Portugal uma vez que «poderá oferecer empregos aos portugueses, para além dos reflexos positivos no plano dos impostos».

Zhan espera também que o centro de distribuição seja um veículo de internacionalização das empresas chinesas através de Portugal, e tem como objectivo declarado «ocupar parte considerável do mercado de materiais de construção de Portugal, Espanha e Angola».

O empresário, que preside também à Associação de Amizade e Intercâmbio Cultural Portugal-China (AAICPC), criada em 2003 com o apoio da embaixada chinesa em Lisboa, para fortalecer a comunicação e os intercâmbios políticos e empresariais entre Portugal e a China, defende também que existe ainda um caminho a percorrer para dar a conhecer aos empresários portugueses as oportunidades na China uma vez que, considera, a falta de apoios institucionais no intercâmbio comercial limita o papel dos investidores.

Zhan quer, por isso, utilizar a estrutura da AAICPC para apresentar aos investidores portugueses projectos de investimento na China, em especial apara a região ocidental do país, onde, disse à Nova China, «existe maior espaço de investimento».

Fonte: Macauhub
(c) PNN Portuguese News Network

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